Movimentos e eixos do torno

Movimientos y ejes del torno

Segundo muitos especialistas, o torneamento foi a primeira operação de maquinagem que deu origem a uma máquina-ferramenta. O torno obedece a movimentos muito básicos, que lhe permitiram tornar-se uma das máquinas mais utilizadas nas oficinas de maquinagem. Mas estes movimentos não seriam possíveis sem os eixos do torno, que são peça-chave para esta maquinagem.

Movimentos do torno

No mercado existem múltiplos tipos de tornos. Podemos encontrar tornos automáticos, paralelos, verticais e de controlo numérico computorizado CNC; estes últimos são os mais conhecidos graças aos múltiplos benefícios e funcionalidades para a indústria. Cada torno, com exceção do CNC, que é capaz de realizar todos os trabalhos, tem tarefas específicas. Assim, um torno é capaz de criar peças cilíndricas ou em forma de cone, mas também pode furar, cortar, lixar ou ranhurar essas peças. Tudo depende do torno, da ferramenta utilizada e do movimento realizado.

Antes de falar dos eixos do torno é importante falar dos movimentos que esta máquina-ferramenta realiza, pois, eixos e movimento andam de mãos dadas no torneamento. É a peça que roda, e ao movimento que realiza chama-se normalmente “movimento de trabalho”. Curiosamente, embora a peça rode, é a ferramenta que se aproxima da peça para fazer o corte. Com este sistema, o torno tem três movimentos:

  • Movimento de rotação ou movimento de corte por rotação da peça. Trata-se do movimento mais utilizado. A peça é colocada sobre um eixo que roda, fazendo com que seja a própria peça a rodar sobre si mesma. Para que a maquinagem por remoção de apara funcione, deve utilizar-se uma aresta de corte que permita a remoção do material. Se se escolher a ferramenta adequada, bem como as melhores condições para realizar o trabalho, os resultados serão muito precisos.
  • Movimento de avanço. Neste movimento do torno, é a ferramenta de corte que se move paralelamente à peça, através de um movimento retilíneo. Este movimento serve para definir o contorno da peça a maquinar.
  • Movimento de penetração ou de profundidade. Neste movimento é a ferramenta que entra na peça, fazendo-lhe um corte e determinando a profundidade dos cortes realizados.

 

Os eixos do torno

Nas máquinas-ferramenta de controlo numérico utiliza-se o conceito de eixos para designar as direções seguidas pelos diferentes deslocamentos das partes móveis da máquina. Entre estas partes encontram-se a mesa, o carro transversal ou o longitudinal. Os eixos do torno são apenas dois: X y Z. Destes dois eixos, o Z realiza um movimento longitudinal seguindo o eixo principal do torno; por sua vez, o eixo X é responsável pelo movimento transversal e perpendicular ao eixo principal do torno.

E como se relacionam os movimentos com os eixos do torno? Nos três tipos de movimentos descritos anteriormente (rotação, avanço e penetração), os eixos têm um papel fundamental. O movimento de corte ou de rotação ocorre entre a superfície da peça e a ferramenta que se desloca; neste movimento, a peça roda no sentido do eixo Z enquanto a ferramenta pode mover-se em qualquer um dos dois eixos do torno.

No movimento de avanço, a ferramenta também se pode deslocar ao longo dos dois eixos que compõem esta máquina-ferramenta; se se mover no eixo Z, então realiza-se uma cilindragem da peça; pelo contrário, se se mover no eixo X, dizemos que se produz um facejamento da peça a trabalhar. No último movimento, o de profundidade de corte ou penetração, a ferramenta mover-se-á sempre no eixo X com o objetivo de remover parte da camada superior da peça. 

A maquinagem em três eixos

Entre as máquinas-ferramenta de controlo numérico computorizado existem tornos de três eixos. Estes são capazes de realizar uma maquinagem em que as ferramentas, controladas por computador, se movem utilizando três eixos. Os movimentos realizados pelas ferramentas destas máquinas são muito precisos e de alta velocidade. O movimento destes eixos é realizado através do suporte que segura a peça. 

Este tipo de tornos de três eixos traz múltiplas vantagens para as oficinas. Por exemplo, reduzem o tempo de trabalho, já que as peças não precisam de ser posicionadas várias vezes pelo operador; o acabamento é muito melhor, mais estilizado graças aos movimentos tangenciais realizados pela ferramenta enquanto o torno trabalha; e, por último, é possível criar peças muito complexas.

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